Blitz: O império que nunca dorme.

Apresentação da peça de teatro

A peça teatral da Trupe Olho da Rua, censurada pela polícia militar na cidade de Santos (SP) no dia 30 de outubro de 2016, volta a se apresentar na rua como forma de resistência e garantia à liberdade de expressão.

Fotografia por Sérgio Silva | São Paulo.

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Apresentação da peça de teatro

Anúncios

Brasil com “P” (irata) !!!

Programa Papo de Jovem com a Juventude do PT. Data: 28/02/2016. Local: Favela do Heliópolis. Fotos: Sérgio Silva | Fundação Perseu Abramo.

Genival Oliveira Gonçalves: Rapper, cantor, escritor. Adjetivos afirmativos para descrever o artista brasileiro, vulgo GOG.

Brasil com “P”

Meu nome é Genival Oliveira Gonçalves, este é o meu nome. Esta foi a primeira palavra do rapper GOG, ao segurar o microfone depois de desejar bom dia a todos e todas as pessoas presente na favela do Heliópolis. O homem, cidadão humano, apresenta-se antes do artista. Permanece em seu local de origem: raízes africanas com uma dose de respeito e humildade com o seu próprio ser.

Antes da entrevista sou apresentado a ele. Outra oportunidade de contar a história. Lembro de uma das suas letras, África Tática, que diz “se vida de nêgo é difícil, a fala franca nos dá a direção”. Logo, a mesma fala franca materializa-se entre nós. Conto a ele a tragédia da minha vida. Papo reto! GOG se lembra e lamenta. Não deixo a onda cair e afirmo que esta “tudo certo”. Estou bem. Estou firme! Ele insiste e quer saber mais, principalmente sobre a culpa do Estado. Conto o que venho repetindo há cerca de 3 anos: nenhuma reparação do estado e nenhum policial responsabilizado. Resposta que gera nenhuma novidade para quem conhece muito mais sobre o que estou falando. Afinal, a bala que “come solta” nas periferias é outra. Ele olha para mim. Devolvo o olhar para ele e sinto um ar de tristeza. Estamos no mesmo barco e o ar, por mais triste e poluído que seja, é igual para todos. Por isso compartilhamos nossa história. Feito uma faca cortando o ar sou eu que insisto tiraram o meu olho, mas não tiraram a minha visão.

Peço uma foto para o trabalho. Sem pensar duas vezes ele manda a cena. O artista que escreveu Brasil com P neste momento entrega-se “olhando na bolinha do olho”. Brasil com P agora é Brasil com Piratas Urbanos.

Obrigado Genival!

 

O dia que fiz matéria e fui matéria

As imagens desse video podem falar : De volta às ruas, por TripTv – video

Terceiro ato contra o aumento da tarifa do transporte público. Manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre em São Paulo. Data: 14/01/2016. Local: Largo da Batata/Pinheiros. Fotos: Sérgio Silva / Trip
Terceiro ato contra o aumento da tarifa do transporte público. Manifestação promovida pelo Movimento Passe Livre em São Paulo. Data: 14/01/2016. Fotos: Sérgio Silva / Trip

VOCÊ SABE O QUE É UM SLAM?

ATIVISMO CULTURAL

Poesia Slam é uma batalha realizada entre poetas com o microfone aberto (parecido com o que ocorre nas rinhas dos Mc’s) para a leitura de textos da sua própria autoria.

Nesta noite de segunda-feira, 03.08.2015, acompanhei o rolê do SLAM RESISTÊNCIA realizado na Praça Roosevelt em São Paulo e o movimento teve inicio assim: É formado um júri popular com o público presente. Cada poeta tem até 3 minutos para fazer a leitura exprimindo performance, cadência e ritmo próprio. Praticamente um exercício envolvendo o corpo, a voz e a mente. Segundo antes, é dado o sinal para o inicio da leitura com um salve geral:

Sabotagem sem massagem na mensagem: Slam Resistência!, repetido em voz alta pelo público que assiste.

De alma lavada e mensagem assimilada, após o final de cada leitura, com uma lata de spray os integrantes do júri popular fazem o picho com o número da nota em um jornal, desenvolvendo a comunicação midiática entre o público, o poeta leitor e o resultado final da competição que termina em festa coletiva para o vencedor da batalha.

Clique!

Slam Resistência - A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência – O poeta Matheus momentos antes do inicio da sua leitura.
Slam Resistência - Deusa poeta
Slam Resistência – Deusa poeta
Slam Resistência - A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência – A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência - A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência – Preparando a nota
Slam Resistência - A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência – O tempo é cronometrado e as notas contabilizadas e apuradas no mesmo instante da votação pelo matemático Charles Jesus. Ele sim, salva!
Slam Resistência - Jornal pichado com a nota dada pelo júri popular
Slam Resistência – Jornal pichado com a nota dada pelo júri popular
Slam Resistência - Rafael Carnevalli (Ativista Cultural), tem livro lançado chamado Amador
Slam Resistência – Rafael Carnevalli (Ativista Cultural), tem livro lançado chamado Amador
Slam Resistência - A música esta presente com a mensagem do Ruptura.
Slam Resistência – A música esta presente com a mensagem do Ruptura.
Slam Resistência - Integração latino-americana com o Ruptura
Slam Resistência – Integração latino-americana com o Ruptura
Slam Resistência - A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.
Slam Resistência – A batalha de poesia realizada na Praça Roosevelt em São Paulo por diversos poetas da cidade.

Nossa história no Google é uma tragédia

retrato elâstomero

A seu favor milhões de motivos para enfrentar tudo aquilo em que acredita. Ao meu redor, poucos caminhos para seguir ao seu lado. Por outro lado, estamos frente a frente numa completa consolação e, mesmo assim, você finge não me enxergar. Sempre usando sua razão como arma para se fortalecer, em uma falsa guerra onde acredita vencer. Sua paz explode sob uma cortina de fumaça, por onde desapareço carregado pelo desconhecido. Deixo por um longínquo caminho rastros da minha dor. Caminho este que, por sua vez escolhi, porém, sem saber que seria tão frágil assim. Mas um pouco tarde, talvez, eu tenha perdido um pouco a minha fé. Para estancar a cachoeira do meu sangue, borra de café. Pois é, as escolhas na vida decidem a intensidade de uma dor. Sem ela não há existência em seu regime. Sob a violência da qual optou, a distância entre o céu e o mar nos separou. Mesmo sem me enxergar um palmo a sua frente, confiava em você toda a segurança do meu coração, igual criança ajoelhado aos pés da árvore de natal. Depois de abrir apenas um olho, pois o outro afastou-se e me trocou por um curativo, acordo deitado em um universo ainda mais desconhecido, branco e frio, levando-me o mais longe possível de todas as verdades da qual eu, assim como você, também fingia acreditar. Há esta altura, já não sabia mais quem estava cego, se era eu ou você. Agora me resta lutar, reaprender e crescer sem a letra V, a letra O, a letra Ç e a letra E.

Sérgio Silva, abril de 2014.

 

Este dia, este perverso dia, que veio depois de ontem.

  A poesia que chega através do mar diz que depois da tempestade vem a calmaria. Tratando-se da natureza, isto é uma grande verdade, porém,  quando a vida não é poesia nem sempre a máxima prevalece.

  Contemplo esta afirmação assistindo ao filme no qual se transformou o meu cotidiano, onde a fúria de uma jovem tempestade tomou conta do meu ser. Uma jovem fúria que passou a fortalecer meus músculos e, gratuitamente, passa a oferecer inúmeras câimbras ao final de um longo dia. Em tempo, após navegar entre capitães da areia e senhores dos mares, esta jovem tempestade aproxima-se sem aviso, se envolve com parte do meu corpo, e mostra sua força capaz de tombar embarcações e deixar náufrago o mais perito dos marinheiros. Mesmo formada em um sentimento único e particular, exclusivamente, ela possui um caráter delicado, demasiadamente humano, mais do que especial. Explico. Ao contrário da forma que chegamos ao mundo, essa fúria nasceu e cresceu do lado de fora e, dentro de mim, transformou-se em uma tempestade também composta por um foco de luz, da qual não se limitou apenas em tombar e revirar embarcações em alto mar. Contudo, forte o bastante para iluminar todo o mar e mostrar a direção correta do encontro entre o ato da existência humana e a linha além do horizonte, ou seja, erguer a cabeça e olhar para frente.

  Este dia, este perverso dia, que veio depois de ontem é o dia do nascimento da minha jovem fúria em forma de tempestade. Neste mesmo dia, em que sua força bruta saltou diante dos meus olhos, tentando me encontrar em um mar de sonhos, dúvidas  e razões, a dor e a tristeza tornaram-se maiores. Foi assim que, cego, diante de centenas de marinheiros, senti o tamanho da loucura de uma cartilha recheada por ódio e ignorância, capaz de abater o coração mais frígido. Eu quis enxergar e você não escutou. Agora pago.

   Porém, é bem verdade que muitas vezes não enxergamos por falta da nossa própria falta de vontade. Por hora, também é verdade que a vontade pode ser mais forte do que a razão. Logo, a vontade não pode submeter-se a cegueira da razão. Neste mar, por onde navegou a coragem e a vontade do poeta, jamais haverá quem possa bater no peito e dizer em alto tom de voz, sou dono da razão! Alguns tentaram e, outros, ainda tentarão, mas igual aos porcos, morrerão com a voz da razão após uma longa vida cercada por um chiqueiro. Na selva dos animais, em contra mão, surge a figura do pato, animal que não emite sons alto, e, por sua vez, não tem voz para ter razão. Preservando a memória, troco o mar revolto por terra firme, com a possibilidade de pensar em algo que possa diferenciar o dono da razão, o porco e aquele que por ordem capital, esta em último lugar na fila, o pato. Sobre o dono da razão e o porco, intelectualmente sou incapaz de encontrar tal diferença, porém, apto a dizer que ambos possuem mera semelhança: de serem domesticados e adaptados como animais de companhia, ou, simplesmente, criados apenas para o abate. Sobre o pato, sua própria natureza pode explicá-lo: é o único animal capaz de dormir com metade do cérebro e manter a outra em alerta, além de ser dotado de perfeito senso de direção e comunidade, o pato é um dos poucos animais da natureza que anda, nada e voa com razoável competência.

 Da minha jovem fúria tempestade, elimino o poder da palavra continência e a substituo por seu sinônimo imparcial: abstenção. Entrego-me à sabedoria do poeta e afasto-me da razão, mesmo sendo metade humano e outra metade, apenas um pato selvagem. Talvez esta seja a minha certeza, ou talvez uma nova dúvida. Para onde vão os patos quando o lago congela? Atrevo-me a responder: Para onde as asas da competência possam levar.

Sérgio Silva – janeiro 2014

Foto: Série Lágrimas de Sangue

obs: O título deste texto trata-se de um curto poema, do grande poeta. Paulo Leminski.

Imagem

 As crianças …

 

As crianças que não conheceram o Facebook

Em primeiro lugar quero me desculpar pela apropriação indevida da sua imagem e dizer que estou à disposição para esclarecimentos, dúvidas e reclamações. Caso queira que a sua imagem não continue exposta neste mosaico, por gentileza enviar-me uma mensagem solicitando a retirada imediatamente. 

12 de Outubro – Dia das crianças

Acessei meu perfil no Facebook e percebi que muitos dos meus contatos estavam trocando a imagem do perfil para uma de quando eram crianças. Uma onda de “Curtir” e de “Comentários” fez desta Quinta-feira fria e chuvosa, um dia cheio de recordações e memórias vivas que permanecem dentro de cada um. Pensei, por que não fazer uma homenagem a este dia tão especial usando estas imagens? Mas muitos destes contatos eu nem conheço e as pessoas e seus cônjuges podem não gostar, fiquei na dúvida. Repensei e cheguei a decisão lembrando que o intuito desta ferramenta chamada Rede Social, é de aproximar pessoas. Então, por que não?

A partir do momento desta decisão, dos 590 contatos que tenho, entre eles amigos de infância, parceiros, colegas de trabalho, de profissão e amigos dos amigos, 52 haviam entrado na brincadeira. Olhei a fotografia de cada um para saber se a criança que aparecia na imagem era realmente o dono do perfil. Juro que foi cansativo e pensei em desistir. Mas para quem esta com um dia ocioso na vida, nada que eu não pudesse terminar em três horas de trabalho.

Com o passar da hora começou a ficar divertido com a leitura que eu fazia dos comentários dos amigos mais próximos, cada um a sua maneira.  Alguns faziam piada com a época em que foto havia sido tirada. Outros elogiavam a beleza da criança como se fossem pais mimando os seus filhos. Teve um que a mãe lembrou até das palavras ditas no momento em que clicava o pequeno, achei incrível.

O meu objetivo era a captura das imagens para compor um mosaico e neste decorrer de tempo passou a ser uma coleção de pequenas histórias da vida de cada um.  Um tempo feliz que passou e jamais iria voltar se não fosse por causa de uma simples fotografia. Tirada por um pai coruja. Um tio grudento. Um amigo da família. Por um irmão mais velho ou até mesmo por um fotógrafo anônimo.

A fotografia respeita o tempo. Respeita a memória e também o futuro. Bendito seja aquele que possui sua memória ainda saudável e tem o privilégio de poder contar aos amigos, contatos, seja lá como for denominado aquele que, mesmo virtualmente, passa e compartilha a sua história com o próximo. Bendito seja aquele que possui seus familiares e amigos por perto, não importa de qual maneira.  Feliz dia das crianças!

Sérgio Silva, Outubro de 2012

Imagem