O pior já passou.

Você acorda agitado no meio da noite procurando encontrar uma resposta. Não sabe o que é pior, se a escuridão ou a confusão entre seus pensamentos sombreados por uma nuvem de fumaça cinza. Nessa hora, o som corta o caminho e ultrapassa a barreira das imagens frias e sem sabor que aquela noite deixou, boom! Apesar de ser apenas um sonho acordado, o frio na barriga é sensação inevitável. A testa enrrugada e uma leve passada de mão sobre o rosto completam o ciclo de um trauma. Foi apenas um sonho ou um pesadelo? 

Já parou para pensar por que tudo vai, por que tudo se move e por que tudo sempre volta? Os pensamentos são prioridades e as prioridades são prisões sem grade. Depois de segurar o rojão e gritar para que ele exploda, sua razão torna-se um erro fatal e o transforma, do seu passado em diante, num simples motivo dentro das telas de um LCD. Vem o trabalho e o rouba da família, você nem percebeu. A faca se aproxima e te apunha-la pelas costas, sem pena. É a vida que se move, locomove e remove seu castelo de areia numa brisa que de leve, leva embora o que quiser.

Dia seguinte ao acordar, a impressão é que nada mudou ou se mudou, o tempo foi cruel com a explicação e o deixou mudo, calado, no seu canto. Deixou passar a oportunidade de falar por que subiu alto e, aqui em baixo, não mais enxergou. Deixou passar, sim deixou passar. Sabe assim?

Para despertar, você busca, procura, corre atrás. Não espera nada em troca de nada. Ás vezes não sente, mas não sentir não é um problema, o problema é fingir. Então, entra em cena o mesmo motivo das telas. E você re-apareçe entre uma grande e perdida multidão de pensamentos sonolentos. Chegou a hora do segundo plano. O levante popular e a sua juventude gloriosa em coragem, amor e arte.  Agora volte e torne a sentir minhas mãos distantes das suas e, ao mesmo tempo, tão perto. Somos um só, e de tão parecidos, nos confundimos entre um telefonema e outro. Talvez juntos. Talvez não. Sigo meu caminho em direção ao horizonte, onde o indivisível, o (seu) interior e o que ainda não começou, me aguardam sentados na poltrona quase vazia.

Quando a dor bater, a última frase será: o pior já passou. 

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